Mestre-sala e porta-bandeira

Departamento – Casais de Mestre Sala e Porta Bandeira

Apresentar o pavilhão, símbolo maior de uma escola de samba, é a função principal de um casal de mestre-sala e porta-bandeira no desfile de carnaval. A performance do casal durante o desfile contagia o público e é criteriosamente avaliada pelos jurados.

A dança do mestre-sala e da porta-bandeira surgiu nos ranchos, em que o baliza e o porta estandarte deviam defender os símbolos da associação. A defesa, nesse caso, não era apenas simbólica: membros de um rancho costumavam tentar roubar a bandeira do outro. Por isso, muitos dos primeiros porta-bandeiras eram homens, inclusive quando as figuras foram incorporadas pelas escolas de samba. Um dos primeiros porta-bandeiras de que se tem registro foi Ubaldo, da G.R.E.S. Portela. Por sua vez, Maria Adamastor foi uma das primeiras Mestre Sala.

Com o tempo, a atuação dos balizas e porta-estandartes evoluiu para o giro da porta-bandeira acompanhada pelo gingado do mestre-sala. Uma hipótese é de que essa mudança foi influenciada por danças rituais pré-nupciais das adolescentes africanas cortejadas pelos jovens guerreiros. Outra possível origem do formato atual é a dança encontrada nas festas populares e sepultamentos, em que as tribos eram identificadas por bandeiras coloridas.

Em 1938, a fantasia do mestre-sala e da porta-bandeira passou a ser um quesito de julgamento no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. A partir de 1958 o quesito passou a incluir a dança do casal.

O Carnaval já era citado no início do século XIX sobre os blocos carnavalescos do Rio de Janeiro, muitos inclusive denominados também de grupos Maltas de capoeira, que eram grupos de ex escravos que usavam da violência e brigas de gangs nos centros urbanos, e toda essa violência acabou sendo chamada de capoeiragem, fato que fez a capoeira ser proibida a sua prática entrando como contravenção no código penal de 1890.

Esses grupos eram divididos por bairros, e cada grupo era muito envolvido em festas populares e até comícios políticos. No carnaval cada grupo possuía o seu escudo, sua bandeira denominado de pavilhão, e nos desfiles era comum grupos rivais roubarem o pavilhão de outro grupo, que seria uma espécie de troféu, diante desse fato a porta pavilhão denominada atualmente de porta bandeira, ela passou a ser escoltada pelo melhor capoeirista do grupo, que além de vir dançando executava golpes de capoeira em cima de quem tentasse se aproximar do pavilhão, muitas vezes eles vinham também armados de navalhas, facas, e punhais, armas brancas usadas por esses grupos na época. Com o passar dos anos e mais tranquilidade nos centros urbanos e fim dos grupos de Maltas, a navalha foi substituída simbolicamente pelo leque, a faca e punhal pelos lenços, mais os passos sambados e ágeis são sem dúvidas herança dos capoeiras arruaceiras do fim da escravidão.

Em 1957 a Unidos do Peruche inova trazendo o primeiro casal de Mestre Sala e Porta Bandeira para o Carnaval Paulistano.

Avaliação dos Jurados

Em média as escolas de samba têm três ou quatro casais de mestre sala e porta bandeira. Porém apenas o primeiro é julgado, por ostentar o pavilhão oficial da escola. A ordem da entrada dos casais depende da escolha da Direção de Carnaval, observando o enredo do Carnavalesco

Dentre os quesitos de avaliação nos desfiles do carnaval paulistano está o de mestre sala e porta bandeira, responsável pela nota máxima de 40 pontos. São quatro jurados, com conhecimento técnico sobre a dança que ficam dispostos ao longo do Sambódromo do Anhembi.

Entre os critérios utilizados pelos jurados para a composição da nota estão: entrosamento, sincronismo, postura e integração do casal.

O mestre sala e a porta bandeira precisam manter a elegância e leveza enquanto dançam. Os dois também não podem caminhar. “Isso não é permitido. Eles deveriam estar dançando o tempo todo.”, explica Gabi, e não podem, se chocar corporalmente. É importante ressaltar que o pavilhão não deve enrolar e nem tocar no rosto ou fantasia do mestre sala.

Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Carnaval_da_cidade_de_Sao_Paulo

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/carnaval/2019/noticia/2019/03/01/mestre-sala-e-porta-bandeira-devem-girar-em-sentido-contrario-no-desfile-de-carnaval-veja-regras.ghtml